Sustentabilidade – Materiais alternativos ao couro e movimento pelo fim do uso de peles crescem no mundo da moda

por Francieli Hess
/ 16 junho 2017 / 4comentarios

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Na última semana, um dos maiores grupos varejistas do mundo da moda anunciou que não venderá mais peles de animais em seus e-commerce. Com a decisão, o Net-A-Porter tomou um grande passo na caminhada da sustentabilidade, que está cada dia mais em alta no mundo da moda. Enquanto grifes como Prada, Gucci e Fendi ainda insistem em utilizar o polêmico material, cresce a preocupação com o desenvolvimento de materiais tecnológicos que possam suprir a demanda daqueles de origem animal.

Couros criados a partir das fibras do abacaxi, de troncos de árvores e até mesmo de resíduos da produção vinícola já são realidade e novas opções não param de surgir. As novidades agradam os vegetarianos, os ambientalistas e também os defensores da causa animal, além de fornecer um leque de infinitas possibilidades para os designers.

A estilista brasileira Flavia Aranha desenvolveu o Tecido da Floresta, uma técnica inovadora que utiliza algodão e látex natural e é produzida pelas mãos talentosas de artesãos da Amazônia. O material é maleável, biodegradável, não leva químicos em sua produção e tem um aspecto rústico bastante semelhante ao couro. A produção ainda é pequena e bastante experimental, já que é preciso aguardar a maturação do latex, mas algumas peças criadas com o tecido já podem ser encontradas na internet. Em 2016, Flavia produziu uma coleção em parceria com a Insecta, outra marca brasileira focada na sustentabilidade e que não utiliza produtos de origem animal na confecção de seus calçados.

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Flávia Aranha + Insecta Shoes

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Tecido da Floresta: algodão e látex se transformam em material artesanal e semelhante ao couro

Na Itália, a revolução vem do vinho. O designer milanês Gianpiero Tessitore criou o Wineleather®, um tecido tão maleável e durável quanto o couro, porém produzido de forma completamente ética e sustentável a partir de resíduos descartados pelas vinícolas. O material surgiu após 2 anos de estudos intensos e começou a ser vendido no ano passado, podendo ser usado para roupas, acessórios e até mesmo a decoração.

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O Wineleather é produzido a partir de resíduos descartados pelas vinícolas.

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Sapato feito a partir do “couro de vinho”. 

Embarcando nessa onda, a marca londrina Bourgeois Boheme lançou uma coleção inteira feita a partir do “couro” de abacaxi. O material foi desenvolvido pela Ananas Anam e de trata de um têxtil natural, produzido a partir das fibras da folha da fruta. Como as folhas são um subproduto do cultivo, não é necessário mais terra, fertilizante ou mesmo água para produzí-las, sem contar que a produção ainda fornece uma fonte de renda adicional aos agricultores. Essa combinação torna o Piñatex um material ético e sustentável, além de visualmente belíssimo.

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Bourgeois Boheme + Piñatex

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16 junho 2017
Francieli Hess

Francieli Hess

Francieli Hess é formada em Design de Moda pela UDESC e já estudou Cultura e Progettazione della Moda em Florença. Trabalha como estilista freelancer em Florianópolis e é apaixonada por criação, história, branding e comunicação. Instagram: @fvhess