O Movimento Hippie e a Influência do LSD (Parte 2/4)

por Queila Ferraz
/ 20 maio 2008 / 11comentarios

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Wilhelm Reich, psiquiatra austríaco, que havia sido perseguido por Hitler, foi expulso do partido comunista, preso na década de 50 pelo macartismo, vindo a morrer na prisão em 57 com parte de seus escritos queimados.

Reich foi considerado maldito e proscrito dos círculos oficiais, criou a sexpol, fincada na idéia de que há uma necessária ligação entre a saúde psíquica, a vida sexual e a consciência de classe. Não acreditava na possibilidade de saúde e liberdade num quadro sufocante como o do capitalismo das sociedades industriais de consumo. Pregava que sexo é corpo e mente. Como para o psiquiatra, o capitalismo escraviza o corpo e condiciona a mente, acaba sendo um entrave para a saúde psíquica plena. A revolução seria necessária para uma profilaxia eficaz das neuroses.

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Wilhelm Reich

Veja frases de Wilhelm Reich, extraídas, principalmente, de obras não publicadas em português.

O psiquiatra acabou virando referência para muitos intelectuais dos sixties, guru sexual dos jovens interessados na libertação do corpo, na compreensão dos desejos. Falava-se em amor livre, no slogan da época Make Love, Not War, não havia propriedade privada do corpo. Uma das terapias recomendadas pela contracultura era a sexual, outra pregava o uso de alucinógenos, como o americano, escritor e psicólogo, Timothy Leary que por isso, ficou conhecido como o papa do LSD.

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1) Timothy Leary – o papa do LSD 2) Movimentos da contracultura

Para Leary tudo começou em agosto, quando professor de psicologia da universidade de Harvard, experimentou o LSD, droga sintetizada em laboratório, que era vista como analgésico e que podia aliviar a dor física e psíquica, comentava-se também a possibilidade de uso da droga na psicologia e psiquiatria, na medida em que poderia ajudar a compreender o universo do pensamento humano.

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A partir dai, Leary começou a defender a tese de que o cérebro humano tem uma infinidade de potencialidades, podendo até operar em dimensões de tempo e espaço inusitadas. Dizia que ácido lisérgico é o passaporte que leva o homem além das previsíveis e limitadas fronteiras da consciência, permitindo-lhe gratificantes viagens de autoconhecimento.

Sua luta desde então, foi à expansão da mente, fornecendo ao homem um terceiro olho, que lhe faria enxergar o mundo com uma profundidade maior. O psicólogo acabou sendo expulso de Harvard; a droga que não era proibida na época tornou-se uma febre na América como a novidade do momento.

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Dentre seus usuários, a maioria eram universitários e intelectuais consagrados. O termo psicodélico significa manifestação da mente e passou a ser empregado para se referir a estados de alteração da mente ligados a LSD; o ácido se tornou mais popular que a maconha, sendo adotado pelas diversas comunidades hippies espalhadas pelo mundo. Muitas bandas de rock surgiram para compor trilhas musicais para as viagens psicodélicas como Grateful Dead e Pink Floyd.

Pink Floyd – Wish You Were Here

Leary começou a ser visto como fanático, místico, um alquimista distante do universo científico acadêmico, acabou por se transformar no guru lisérgico de uma cruzada religiosa, cujo deus responde pelo nome de LSD.

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Além dos jovens alegres e descompromissados que davam o maior destaque às questões comportamentais e existênciais, havia a ala da juventude engajada nas questões sociais, crente na força da ação política como motor das transformações, conhecida como poder jovem.

Jerry Rubin celebrizou-se diante de uma das principais organizações estudantis dos Estados Unidos e do mundo, a YIP Youth International Party (partido internacional da juventude) acionando a existência de uma comunidade hippie politizada.

A contracultura se misturou com a política; a imagem de Che Guevava se fundiu à de Hendrix na politização da psicodelia. Rubin, dirigente do partido e ex-líder estudantil em Berkeley afirmava que a união da nova esquerda com o estilo de vida psicodélico e, com a maneira de viver, nossa própria existência era a revolução.

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Tanto a liberdade individual foi importante para a revolução, quanto à revolução para a liberdade individual e para a revolução cultural que caminhava ao lado da revolução política. Começaram a pipocar no mundo organizações políticas progressistas ou de esquerda. Uma das mais importantes foi SNCC: Students Non Violent Coordinating Committee, dirigido por um líder religioso seguidor de Martin Luther King. Os negros mais exaltados organizaram vários grupos radicais, como o Black Panter, em 1966.

Como operar seu cérebro – Timothy Leary (Parte 1 de 3)

Grateful Dead – St Stephen

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Por Queila Ferraz

(Queila Ferraz Monteiro é estudiosa de História da Moda, é consultora de design e gestão industrial para confecção e Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção dos cursos de Moda em várias faculdades , também é professora em cursos de pós-graduação em universidades como o Senac. queilamoda@yahoo.com.br )

20 maio 2008
Queila Ferraz

Queila Ferraz

Queila Ferraz é historiadora de moda e arte, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário. Trabalhou como coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac e da Belas Artes.