Identidade Brasileira na Moda – Anos 60

por Fashion Bubbles
/ 11 abril 2006 / 254comentarios

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Dener e a ex-primeira-dama Maria Teresa Goulart

No Brasil, a década de 60 começa em crise econômica, gerada pelo desenvolvimento rápido, sustentado através de grandes emissões de dinheiro e de empréstimos externos, o que desencadeou um processo inflacionário que levaria, somados a outros fatores, ao Golpe Militar de 1964.

Fazem parte do panorama desta década o acelerado desenvolvimento tecnológico, sobretudo nos meios de comunicação. Mundialmente, segundo Gontijo, percebe-se uma internacionalização dos processos culturais e dos movimentos sociais, havendo uma busca por desarmamento, desenvolvimento e descolonização.

Para o pesquisador Carlos Dória, o futebol, a música e a moda fariam o espetáculo desta década.

No âmbito da moda, Alceu Penna teoriza em setembro de 60 sobre formas de emplacar definitivamente a moda brasileira:

Na estação em curso, a moda está se inspirando em trajes de Espanha, nas listras indianas e nas de Marrocos. Em grande evidência, o bordado Inglês. Ora, por que o bordado Inglês? E por que não o do Ceará? Por que Espanha, Índia, Marrocos e não o Brasil? Até onde uma linha de inspiração brasileira poderia influenciar a moda internacional? Uma linha de expressão brasileira? Teríamos que descobrir algo que fosse de atualidade e, ao mesmo tempo, adaptável às novíssimas tendências da moda. Algo como… café!’.

Para o célebre desenhista a nova coleção teria, portanto, as cores das sementes, flores e dos frutos do café em tons vermelho-escuro, verde-vegetal e marrom.nos estampados, estilizações deveriam sugerir moendas, cestos e peneiras, feitas por artistas como Ademir Martins, Volpi, Darcy Penteado, Heitor dos Prazeres, Milton Dacosta, Lívio Abramo, Maria Bonomi e tantos outros. Modelagem? Dener, Jacques Hein. Jóias, Burle Marx. Chapéus, Madame Rosita. ‘

E para divulgar essa linha’, prosseguia Alceu, ‘era necessário ocupar o coração da capital da moda, Paris. Manequins brasileiros fotografados pelas ruas parisienses, modelos da Linha Café destacando-se na paisagem típica da Cidade Luz… E haveria, depois, a volta para o Brasil. Numa cadeia de desfiles, de Brasília a Manaus, divulgando a fabulosa coleção de modelos autênticos franceses e dos grandes criadores brasileiros. Eis uma magnífica idéia promocional em favor da moda nacional’. O desfile realmente aconteceu (…) em Paris. Data e local que fizeram história: a partir de então, para aqueles pioneiros, era possível dizer que a moda nacional começava a existir no âmbito mundial.(…) Provando à sociedade francesa que o Brasil, além do petróleo, tem elegância também.” (Dória, 1998, p. 67-68)

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Rhodia Vestido de Alceu Pena, com estampa de Lula Cardoso Ayres. Vestido com estampa de Manezinho Araújo, fabricado por Jardim Style.

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Garotas do Alceu

Empresas como a Rhodia, na divulgação de seus produtos, realizava magníficos desfiles de moda coordenados por Lívio Ragan que reunia os maiores artistas brasileiros:

“O pretexto dos shows tipo ‘Brazilian Style’ era ‘promover a alta costura nacional’, dando espaço de desfile a uma série de jovens costureiros aspirantes a criadores. Como também se impunha desenvolver a estamparia, ela contratou artistas plásticos para conceber motivos ‘bem brasileiros’.(…) Para reforçar ainda mais a ilusão de ‘inspiração nacional’ da alta costura então nascente , a Rhodia fez viajar pelo Brasil costureiros, manequins e coleções, de modo a autenticar sua ‘brasilidade’ em sítios celebrados como símbolos da nacionalidade , como Salvador, Ouro Preto e Brasília.” (Durand, 1988 p. 79).

“A cada ano (…) viajava para Paris e Milão apenas para copiar o que então era moda. Trazia cores, padronagem, estilo. Depois, fazia adaptações, criando a coleção com alma nacional.” (Dória, 1998, p. 60)

No final da década acontece, na música, o movimento tropicalista, inspirado na Antropofagia dos anos 20, onde o conceito de devorar a cultura estrangeira se associa com a absorção das novas tecnologias.

Movimento Tropicalista

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“Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de “Tropicália”. ” (Via Wikipedia)

Mais fotos dos anos 60

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Dener e a ex-primeira-dama Maria Teresa Goulart no Palácio das Laranjeiras (1963)

Dener_e_Maria_Stella_recebem_Gunther_Sachs Dener_Pamplona_de_Abreu,_seus_gatos_e_vestidos,_por_Otto_StupakoffImagem via Degradê da Moda, clique no site para conferir entrevista com a filha do Denner

(Este é um trecho do relatório final da pesquisa Moda e Identidade Brasileira, feito por Denise Pitta de Almeida, 2003, Faculdade de Moda da UNIP)

Leia também Dicas para festa dos anos 50, 60 e 70 – decoração, roupas e fantasias e Como se vestir para uma festa dos anos 60.

Em relação ao material dos anos 60, vocês podem entrar no site Moda Almanaque que tem muita coisa interessante: http://almanaque.folha.uol.com.br/anos60.htm

O que usar em festas dos anos 60

E no site Vintage Textile :
http://vintagetextile.com/gallery_1930s_50s.htm

Tem uma galeria com roupas originais de várias épocas.

Leia e veja mais sobre os anos 60 aqui e aqui.

Anos 60 – Exposicao no Victoria & Albert Museum

Leia Mais:

Para dicas do que usar em festas temáticas leia:

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