DFB 2019 Dia 2 – Arte e história ganham força nas passarelas em Fortaleza

por Francieli Hess
/ 17 maio 2019 / 1comentarios

Jangadeiro Textil – DFB 2019 dia 2

O DFB 2019 segue revisitando tradições com maestria. A segunda noite de desfiles foi marcada pelas telas, rendas, tules e macramês com forte inspiração artística e histórica.

Cada um a seu modo, os estilistas refletem sobre os papéis masculinos e femininos na sociedade, contextualizando a inspiração em peças-desejo para usar já, confira:

Saídas de praia Verão 2020 Tendências, passarelas e looks das famosas!

Destaques do DFB 2019 Dia 2

Jangadeiro Têxtil

A elegância descomplicada tomou conta da passarela da Jangadeiro Têxtil. Especializada em tecidos com estampas digitais, a empresa apresentou uma das coleções mais desejadas da noite.

Inspirada pelas vanguardas artísticas e com um toque à la Phoebe Philo, a Jangadeiro exalta uma mulher culta, sofisticada e, ao mesmo tempo, descontraída. A arte aparece nas pinceladas abstratas e nas aquarelas que permeiam a estamparia.

Da escolha das cores à elegância dos tecidos naturais, é uma passarela que conquista look após look. Crepes e linhos ganham detalhes em macramê, franzidos e plissados, com uma leveza sedutora. Nada é exagerado e tudo dialoga perfeitamente, sem jamais cair na monotonia.

Enquanto o país vive um momento cultural sombrio, as passarelas exaltam a beleza das artes plásticas. Pois como disse o personagem de Robin Williams no filme A sociedade dos Poetas Mortos: “Medicina, Direito, Administração, Engenharia, são atividades nobres, necessárias à vida. Mas a poesia, a beleza, o romance, o amor, são coisas pelas quais vale a pena viver.”  E isso a Jangadeiro tirou de letra!

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Cariri Visceral

Projeto Cariri Visceral, uma coleção cápsula

O Senac Crato apresentou uma coleção cápsula desenvolvida pelos alunos do curso “de Costureiro, Modelista e Figurinista”. No desfile mais autoral da noite, o projeto traduz passado, presente e futuro da moda da região através da moda.

Superfícies têxteis arrojadas e bem trabalhadas exploram a identidade criativa nordestina, com referências no macramê e nas rendas tradicionais, além das cordas, palhas e, é claro, o couro tradicional de Espedito Seleiro.

Elementos da fauna e da flora se aliam às franjas para trazer movimento e uma certa inquietação criativa aos looks. Assim compreendemos porquê o DFB se transformou na maior semana de moda autoral da América Latina: a região tem história, talento e garra para dar e vender.

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Saldanha

Éolo SS 20 – Saldanha

Éolos, o Deus do vento, é ponto de partida para o Verão 2020 da marca Saldanha. Aqui, o estilista explora os fortes ventos da vida costeira do Ceará, desde a produção da energia eólica até os esportes radicais na praia.

Isso é traduzido na passarela através da leveza dos crepes e tules plissados em contraste com a força rústica do linho e do macramê, ponto alto da coleção.

Os tecidos telados remetem às cestarias e ganham aplicação de cordas em formas orgânicas, um bordado que remete às redes de pescadores. Essa coleção passeia pelos tons naturais e tem seu ápice no vibrante e cítrico amarelo lima!

Por fim, vale ficar de olho nas peças tramadas em macramê com muitas franjas. Elas prometem ser hit da próxima temporada!

 

David Lee

David Lee Verão 2020

Menino prodígio do Ceará, o estilista David Lee acaba de expor em Londres como um dos 16 designers selecionados pelo British Fashion Council para o Internacional Fashion Showcase. Seu desfile foi um dos mais aguardados da noite e trabalha uma nova visão da moda masculina.

Um dos grandes trunfos de David Lee é o crochê, que caminha junto à contraposições interessantes entre a força e a fragilidade.

Sua passarela é florida, com girassóis amarelos e também estilizados em versão neon. Muitas listras, xadrez e mix de estampas dão personalidade à coleção. O crochê também aparece, é claro, em peças bem solares e iluminadas, que vão das camisetas aos casacos vibrantes.

RENDÁ por Camila Arraes

O que a França e o Ceará têm em comum? Muito mais do que você imagina. O bordado Richilieu – ícone da cultura cearense – foi trazido para o Brasil pelos portugueses e tem seu nome em homenagem ao Cardeal Richilieu. Essa técnica nobre foi dominada pelas artesãs locais e, junto à renda Renascença, compõe os pilares o trabalho autoral da Rendá.

Ao som de remixes de hits franceses e cearenses, a passarela inicia com pegada ladylike, comprimentos mídi e tons rosê. Conforme a coleção vai se desenvolvendo, a modernidade entra em cena com recortes ousados, tecidos florais plissados e até mesmo uma sobreposição de renda com calça jeans de cintura bem baixa.

Das mangas bufantes aos ultra decotes, Camila Arraes explora a feminilidade e resgata o valor das tradições artesanais.

17 maio 2019
Francieli Hess

Francieli Hess

Francieli Hess é formada em Design de Moda pela UDESC e já estudou Cultura e Progettazione della Moda em Florença. Trabalha como estilista freelancer em Florianópolis e é apaixonada por criação, história, branding e comunicação. Instagram: @fvhess