O ativismo digital que mudou as campanhas de moda

por Francieli Hess
/ 08 agosto 2016 / 2comentarios

No início de agosto, foram divulgadas as primeiras imagens da parceria entre as gigantes Kenzo e H&M. As peças chegam às prateleiras em novembro e a coleção, que já vinha causando burburinho no cenário da moda, voltou aos holofotes assim que os primeiros looks foram mostrados no twitter da sueca H&M.

O ativismo digital que mudou as campanhas de modaIsamaya Ffrench e Oko Ebombo

A presença das cores contrastantes e da estampa de tigre, marca registrada da Kenzo, chamou bastante atenção. Mas não foi só na estética das roupas que os designers Carol Lim e Humberto Leon buscaram imprimir a alma de Kenzo Takada, o criador da marca: um dos grandes sucessos da década de 1970, o estilista japonês era especialista em criar desfiles impressionantes que traziam a vida real para dentro das passarelas, tendo  a inclusão e o respeito à individualidade como princípios norteadores do seu trabalho.

Valorizando esse conceito, nada mais natural do que a escolha da direção criativa da casa em convocar jovens artistas e ativistas para fazer parte do lookbook da coleção: “São pessoas que admiramos, ícones nas suas áreas”, explicou Leon, que selecionou um time de deixar qualquer um orgulhoso.

Nas primeiras imagens divulgadas, podemos ver Amy Sall, estudante e ativista que fundou o SUNU, um jornal de temas africanos, pensamento crítico e estética; Juliana Huxtable, poeta, DJ e artista; Isamaya Ffrench, maquiadora e membro do coletivo londrino Theo Adams Company; e ainda Oko Ebombo, músico e artista parisiense.

Pessoas comuns nas camapnhas da Moda

Amy Sall e Juliana Huxtable

Essa não é a primeira vez que grandes grifes trocam modelos profissionais por um casting recheado de personagens da vida real. Em 2014, a grife Marc by Marc Jacobs lançou uma campanha produzida inteiramente com modelos selecionados no instagram, pela hashtag #castmemarc, e a ideia deu tão certo que a marca repetiu a dose no ano seguinte e agora prepara-se para lançar uma terceira edição, ainda em 2016.

O ativismo digital que mudou as campanhas de moda em pessoas comunsMarc Jacobs-SS15

O ativismo digital que mudou as campanhas de moda 22
Marc Jacobs – FW14

Ações como essas demonstram que a indústria da moda, antes engessada em padrões inatingíveis, precisou se reinventar rapidamente para continuar lucrativa. Com as novas gerações cada vez mais conectadas, a internet virou palco para o debate e deu espaço para minorias que souberam se fazer ouvir, criando influenciadores poderosos, com ideias transgressoras e milhares de seguidores prontos para questionar padrões e estereótipos que não reflitam sua realidade.

Em entrevista para a NY Magazine, o diretor de casting Noah Shelley explicou que, com a força do Instagram, as marcas começaram a optar por associar-se com pessoas que tragam personalidade para seus produtos. Isso porque muito além de um rostinho bonito, essas pessoas agregam conteúdo aos feeds e construíram autoridade o suficiente para falar de um produto ou serviço.

Foi através desses influenciadores digitais que o ativismo online ganhou força e rosto, trazendo mais diversidade para as mídias tradicionais. Se antes a moda mercantilizava causas, hoje ela vira os holofotes para os seus porta-vozes e busca atingir um novo público, que dificilmente comprará algo pelo qual não se sinta representado.

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Brendan Jordan ficou famoso na internet após aparecer em um vídeo dançando animadamente atrás de um repórter. Com milhares de fãs no youtube, o adolescente logo faturou um contrato para modelar para a American Apparel.

Cara Delevingne também recorreu ao Instagram para selecionar os modelos que estrelaram a campanha de sua coleção em colaboração com a DKNY.

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Por Francieli Hess

(Francieli é formada em Design de Moda pela UDESC e já estudou Cultura e Progettazione della Moda em Florença. Trabalha como Coordenadora de Estilo em Florianópolis e é apaixonada por criação, história, branding e comunicação. Instagram: instagram.com/fvhess)

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08 agosto 2016
Francieli Hess

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Francieli Hess é formada em Design de Moda pela UDESC e já estudou Cultura e Progettazione della Moda em Florença. Trabalha como estilista freelancer em Florianópolis e é apaixonada por criação, história, branding e comunicação. Instagram: @fvhess