Sobre a morte das Tendências
Estilo | Denise Pitta | October 15, 2007 at 10:57 amAnúncios

Outro dia coloquei um post do Oficina de Estilo sobre a morte das tendências ao que a Patrícia Miranda do Santa Mistura respondeu de forma muito interessante e completa, observando que na verdade não há a morte das tendências, apenas estão mais complexas e difíceis de serem identificadas!
“Eu acho que não existe morte das tendências, estamos vivendo apenas, como nos anos 60/70, anos de contestação, exatamente, como nos anos 70 … revisão de valores de consumo, é simples, porque levanta uma poeira de referências e, ainda, misturada a cultura pop, turva a visão das megatrends, associados a uma infinidade de “assuntos e preocupações + globais”… resumindo vivemos um período bem difícil.
Mas como inovação (megatrends) deste período (década) estamos sendo marcados pela associação de assuntos que antes eram antagônicos a moda, uso de novas tecnologias (estamparias digitais- aí observo uma evolução no desenvolvimento absurda… raport descontruídos e re-raportados, matérias primas inteligentes, organização do consumo (por idade mental), revisão das funções dos produtos…
Enfim as tendências existem, minis e megas, é claro que existe um alvoroço no mercado, como está conturbado tudo no mundo, da política ao comprometimento do futuro do planeta, com uma economia volátil que assombra todos os mercados, temos só que ficar mais atentos, ter foco na “sua” identidade comercial, até que a poeira assente.
Pensando nos desfiles, se os gráficos e elementos mais tribais presente nos desfiles de NY ou indo para o outro extremo, os florais (retrôs) pintados à mão dos desfiles de Paris te inspiram, se vc tem a oportunidade de neste período estar fundindo tudo, e voltando ao post PSFK, vc decide fazer seu circo, o que é a megatrends agora, é saber fazer produto de verdade, como no final dos anos 80 e início dos anos 90, onde as empresas que tinham foco no produto cresceram.
Trabalhar a marca, o preço, a distribuição e a partcipação do consumidor ajuda, mas antes de tudo, você tem que fazer um produto consistente, com modelagem e acabamento perfeito, com uma boa pesquisa de materia prima, como se ele fosse único para ser descoberto “emocionalmente” pelo seu consumidor, resgate detalhes e acabamentos “antique” e para finalizar, diferente dos mercados de roupas dos anos 90, hoje, se sua loja parecer um brechó chic e perfumado, maravilha, vc vai vender!! E para entrar no clima… a linda Anthropologie… esse nome não é tudo??”
Leia matéria completa no blog Santa Mistura.


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Meu Nome é Marcia Vital, sou Arquiteta e Construtora de Marcas e gostaria de fazer alguns comentários sobre “a morte das tendencias” .Concordo em parte com o que diz Patricia Miranda, quando diz que não há “morte das tendencias” e sim uma revisão dos valores de consumo. Com mais ou menos intensidade a resistencia às imposicoes do mercado, ocorrem a olhos vistos e pipocam por todo o mundo como bandeiras de contestação, e liberdade.Porém, a meu ver, este movimento difere bastante do ocorrido nos anos 60/70, seja em estensão ou em profundidade. Verei se me explico melhor:
Os movimentos de contestação dos anos 60/70 eram VERTICAIS: de grande profundidade de pensamento, embasados politicamente e fundamentados e discutidos pelos seus defensores e também pelos seus criticos, porém restritos ao mundo dos privilegiados letrados, de escolaridade, aqueles que podiam estudar, ler jornal, frequentar teatros e cinemas, etc.. Estes privilegiados, agarravam-se aos seus valores , suas verdades, como questão de vida ou de morte. Aos iletrados , aqui definidos como os sem acesso a esta cultura social, cabia engulir e metabolizar “uma tendência”, como uma matéria informe veículada por uma propaganda totalmente comprometida com os interesses dos modos de producão, e que invariavelmente redundava num mundo de mentiras, ilusões e falsas promessas. Pode ser um exagero, mas a separação entre os conceitos pessoa e consumidor era muito clara.
Hoje em pleno século 21, assistimos outro tipo de movimento, um movimento superficial, porém de enorme repercussão social, incomparável com aquela dos anos 60/70. Trata-se de uma repercussão HORIZONTAL, que embora sem profundidade , discussoes e fundamentos teóricos e politicos de seus protagonistas, sào extremamente rápidos e atingem uma enorme e invejável parcela da população mundial.
E neste panorama “as tendências” existem sim, mas elas surgem e somem às vezes num piscar de olhos, elas podem ser recortadas, reconhecidas, identificadas pelos grupos de interesse, pelas comunidades, aceitas ou não, re-interpretadas, sempre à vontade das mesmas, provocando as famosas mutações, rápidas e constantes. Daí serem tão difíceis de acompanhar.
O grande valor desta contestação horizontal é o número quase infinito de clãs, tribos, agremiações, clusters, blogs, clubes, spaces, reais, virtuias, espirituais, astrais, que reúnem pessoas-consumidoras que compartilham entre si seus valores, suas verdades, suas experiências pessoais, ampliando ali o seu grau de exigência e atenção.
Dentro destes grupos não existem espaços para discursos demagógicos, para falsas professias ou mentiras selvagens. A exigência interna destes derivou em valores como consistencia , honestidade, clareza etc. Estes valores, hoje obrigatoriamente relacionados ao consumo, transformaran-se nos novos pilares de sustentação e de diferenciação para estas pessoas-consumidoras cada vez mais exigentes com o mercado.
MARCIA VITAL- Arquiteta e Gestora de Marcas – Brander
oi