Cupido e Psiquê e o Dia dos Namorados

Reflexões & Comportamento | Carlos Alberto Alves e Silva | June 2, 2009 at 9:18 pm
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Eros e Psique, escultura de Antônio Canova, no Museu do Louvre, em Paris

O dia dos namorados nos remete a tantos questionamentos que nos afetam do bolso (consumo), ao coração (o par perfeito).  Já fui testemunha de muita gente (sovina) que rompeu relacionamento às vésperas de datas como esta e dizem não saber o porquê de tal decisão.

Outras pessoas reafirmam que vivem melhor sozinhas e dizem não querer mais perder tempo namorando, entretanto ao serem tocadas pelas propagandas, vitrines e eventos com motivos desta data, que já é comemorada mais de uma vez por alguns – Valentine´s Day e Dia dos Namorados – se cobram por não ter alguém para amar, celebrar ou dividir suas vidas.

Cupido e Psiquê

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Para pensar o tema – dia dos namorados – eu fui buscar na mitologia uma história interessante de amor: Cupido e Psiquê, na qual identificamos os encontros e desencontros das vidas amorosas.

Psique era a mais bonita das três belas filhas do rei. Todos os dias, ela recebia cortejos de pessoas para admirar sua beleza que era tamanha, que muitos a comparavam com a beleza da deusa Vênus, como se tivesse decidido viver entre os humanos.

Esta comparação parecia ser uma homenagem a deusa, entretanto seus templos estavam vazios, por causa da atenção dedicada a Psiquê.

Vênus decidiu vingar-se daquela mortal insolente e por não tolerar tal afronta, pediu a seu filho Cupido (arqueiro divino) que investisse uma de suas setas em Psiquê para torná-la um ser monstruoso, e que sua infelicidade fosse maior do que a mulher mais desgraçada do mundo. (Quem se atreveria a querer Vênus como sogra?)

Cupido, sendo muito obediente a sua mãe foi ao encontro de Psiquê, se aproximou invisível de sua presa e prestes a lhe apunhalar uma seta no peito, ficou encantado com a beleza da jovem e, atrapalhando-se, acabou por ferir-se com a própria flecha.

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A vingança de Vênus (Do site Star News 2001)

As duas irmãs de Psique já haviam encontrado esposos e perguntavam ironicamente:

- onde estará o príncipe encantado de nossa linda irmã?

O rei preocupado foi consultar o oráculo de Apolo para saber a razão e retornou desolado em saber que sua filha predileta não se casaria com um mortal, mas com um ser alado e perverso que se ocupava de ferir homens e deuses com suas flechas e para que seguisse seu destino, Psique deveria ser abandonada no alto de um rochedo para que este Ser Alado viesse buscá-la.

Psique foi abandonada conforme as instruções do oráculo e enquanto dormia, após passar muito medo e pensando que o abandono era seu destino, foi carregada até um belo jardim de um palácio esplendoroso pelos Zéfiros – ventos suaves que sopram vindos do oeste.

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Zéfiro transportando Psique para a Ilha das Delícias (Do site Star News 2001)

A jovem ficou encantada com as maravilhas do palácio. Todas as noites Cupido vinha invisível ao seu encontro, falava ao seu ouvido e passava a noite com ela. Aos poucos, ela se acostumou com a situação, mas sentia muitas saudades de suas irmãs e pediu a Cupido que as trouxesse ao Palácio. Este relutou, mas cedeu ao pedido de sua amada e lhe deu um conselho:

- tome cuidado com a inveja de suas irmãs, pois elas verão que seu Palácio é muito mais encantador do que o lugar onde elas vivem.

Ao visitar Psique, as irmãs não puderam conter sua inveja e persuadiram-na a um plano para matar Cupido, alegando que uma vez que ele nunca se mostrava, deveria ser um monstro e que poderia matá-la. Psique, com muito medo do que poderia acontecê-la e acreditando na amizade das irmãs, seguiu o plano que consistia em matá-lo durante seu sono.

Após perceber que Cupido adormecera, levantou-se para investi-lo uma faca no peito, entretanto, hesitou-se ao se deparar com a tamanha beleza de Cupido. Como um pingo de cera quente da vela que carregava caiu em seu lindo rosto, Cupido acordou e foi surpreendido ao ver Psique com uma faca na mão e sumiu decepcionado. Em seguida, tudo desapareceu com ele, jardim, castelo… Desesperada, Psique foi ao encontro das irmãs e contou tudo o que acontecera. Elas a desprezaram dizendo que Psique fora ingrata com tudo o que recebera e estaria fadada a ficar só.

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Psiquê descobre que seu misterioso amante é Cupido (Do site Star News 2001)

As irmãs de Psique aproveitaram-se da situação e foram até o rochedo esperando que os Zéfiros fossem buscá-las e levá-las até o lindo castelo para o encontro de Cupido. Praguejaram contra os Zéfiros por não aparecerem, até que ao sentirem um vento nos rostos e se atiram do rochedo pensando que seriam resgatadas pelas mãos destes… Mas, morreram no penhasco.

Psique procurou Vênus e implorou perdão pelo que fizera a Cupido e disse que o amava e queria recuperar seu amor. Foi aprisionada durante muito tempo sob as imposições e obrigações de Vênus, que a propôs uma tarefa muito difícil visando avaliar até que ponto teria forças e ceder. Psiquê demonstrou sua resistência indo até os infernos (Reino de Plutão) para buscar com Prosérpina, uma caixa que supostamente continha beleza, tendo em vista que Vênus alegava ter perdido um pouco da sua, cuidando do filho machucado. (Ê, sogra difícil).

Uma voz no ouvido de Psiquê, a orientou durante sua missão que foi bem sucedida até a volta. A voz que era de Cupido, a aconselhou nunca abrir a caixa, mas Psique antes de entregá-la quis saber o que lá continha e ao abrir uma nuvem de sono profundo a envolveu fazendo com que esta parecesse morta. Cupido mais uma vez ficou muito desapontado com a curiosidade da amada, mas reverteu a situação.

Quando Psique acordou de um sono profundo, recebeu autorização dos deuses para tomar o néctar que a transformou em uma deusa e pôde, finalmente, casar com Cupido.

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Após esta história de amor, pensamos por que é tão difícil ser feliz e nos damos conta do quanto traímos nossos desejos. Estamos sempre esperando sermos arrebatados pelo par perfeito, a outra metade da laranja, mas também fazemos com que nossos namorados / namoradas fiquem invisíveis diante dos obstáculos.

Para aqueles que foram fisgados pela flecha do amor, agüentem a dor da imperfeição dos relacionamentos e curtam o dia dos namorados como se fosse o primeiro. A vida é cheia de encontros e desencontros, surpresas, desconfianças, erros, arrependimentos e várias chances para resgatar a confiança do outro e confirmar e lutar pelo que sentimos. Não é ruim expressar o que se sente pelo outro, mas evitem os jogos quando as regras não foram discutidas. Não tenham medo de amar e de ser amados.

Muitas vezes dizemos que é muito difícil amar, mas quantas vezes não nos permitimos ser amados? Às vezes, precisamos de desculpas para expressar ao outro o que sentimos, uma destas desculpas pode ser o dia dos namorados. Enjoy it!

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Eros(Cupido, no panteão romano)

Por Carlos Alberto Alves e Silva

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10 Comentários

  1. Pedro Cruz says:

    Bua, bua, bua, bua! lavou minha alma e enxugou meu coração.

  2. Josana says:

    Ai Carlos, sempre amo a forma que você conta as histórias!! E engraçado ler e ver que é tão você, te escuto contando os detalhes e também os expressando com as mãos… e na escrita sempre flui tão bem quanto na fala…tava com saudade dos seus textos!

    Não conhecia essa história da mitologia, e fico tão feliz e aliviada que fui fisgada pela flecha amor! E meu marido e eu somos tão simples na forma de amar, acho que eu e ele encontramos a fórmula perfeita, talvez é porque vemos cada imperfeição como também qualidade única.

    Beijo grande e saudade!!!

  3. Lisandra says:

    Nossa, me assustei com o bonequinho que apareceu na minha foto…. ai que meda!!

  4. Lisandra says:

    Amigo, sua sensibilidade é sempre tão tocante…. adorei a história de Psique e Cupido e confesso que não estava pensando em comprar um presente para o maridão , mas fui fechada pelo texto e entrei no clima do Dia dos Namorados. Vamos todos celebrar!! Te adoro, bj grande. Parabéns!

  5. QUEILA MONTEIRO says:

    Ainda sou mortal, continuo abrindo as caixas e acreditando na conversa alheia, isso é mesmo coisa de mulher, eu também perdi minha beleza cuidando de filho e essa é a maior beleza. Também já fui soprada pelos ventos e isso fez a vida valer a pena. Muito bom esse texto.

    • Carlos Silva says:

      Queila, fico sempre lisongeado com seus comentários. Fico feliz que você tenha vivido as vida das deusas e das mortais, pois é neste equilibrio que nossas fantasias dão graça e sabor aos momentos mais aridos da vida e cada momento de paixão, dedicação e entrega nos faz perceber que vale a pena viver. Adorei seu comentário.

  6. Denise Pitta says:

    Nossa, Cristiane, amei e já incorporei o pensamento de Charlie Chaplin.

    Achei perfeito, inclusive para o amor, que também precisa ser defendido com paixão, que precisa ser desejado e é necessário determinação para enfrentar as dificuldades que como apresentadas pelo Carlos, através de Cupido e Psique, o tornam mais forte e maduro.

    A vida não é tarefa fácil e ter alguém para compartilhar e amar faz toda a diferença. O amor vale à pena!

  7. Cristianne Santos says:

    Adorei a abordagem!! Este artigo me fez lembrar um pensamento de Charlie Chaplin: “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante”.

    • Carlos says:

      Cris, adorei seu comentário e compartilho deste pensamento. É necessário percorrer um grande trajeto para poder aprender a amar e deixar-se amar, não ter medo de se apaixonar e ousar não somente nas relações afetivas mas também nos projetos de vida, pois o primeiro amor deve ser pela vida para pode ir além do encontro com o outro, mas para as experiências intensas da vida que nos faz amar e sofrer. Ter medo de viver é viver pela metade. bjs. Carlos

  8. Leonize Maurilio says:

    Carlos, vou confessar : você com esse texto lindo e o Ed com a divulgação do vídeo de Chanel 5, mexeram demais com as minhas emoções. Amei!!! Parabéns.

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