Uniban: A vitória da Intolerância

Reflexões & Comportamento | Edgard Pitta | November 8, 2009 at 11:59 am
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burka

Não bastasse ter sido hostilizada por seus colegas e professores por estar usando um vestido curto, a aluna da Uniban, Geisy Arruda, 20 anos, acaba de sofrer mais outra violência. Após sindicância interna, a Uniban conclui que a culpa pelo episódio foi da própria aluna, que será expulsa da universidade por “flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.

Em entrevista ao blog do jornalista Josias de Souza, o advogado da reitoria da Uniban, Décio Lencioni Machado, disse que a aluna “sempre gostou de provocar os meninos. O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de cruzar a perna, de caminhar”.

Peraí, que parece que não entendi direito… A vítima é que foi expulsa e não os agressores, dentre os quais se incluíram até alguns professores?

O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Veja o vídeo e choque-se por você mesmo…

O mais chocante, para mim, é à uma certa altura ouvir uma voz feminina que diz: “Ela está chorando, gente…” ao que outra garota responde: “Ah, dane-se!”. A aluna, ameaçada pelos colegas que uivavam como animais, “Puta, puta, puta!”, teve que sair sob a proteção da Polícia Militar. Mas tanto escândalo por um microvestido rosa? Mais parece que estamos numa sucursal do Taliban e não no país das letras impublicáveis do funk carioca proibidão ou do duplo sentido do “rala-o-pinto” baiano.

O bullying, termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados com o objetivo de intimidar ou agredir uma pessoa ou grupo incapaz de se defender, está se tornando uma verdadeira praga entre as escolas de todo o mundo. Pais, dirigentes e sociedade unem-se para proteger suas crianças e adolescentes dessa violência brutal que muitas vezes deixa sequelas incuráveis nas vítimas.

É bom que se diga que a intolerância contra a mulher e os diferentes (gays, deficientes, negros, estrangeiros, dissidentes, entre outros) não é privilégio dos alunos, professores e direção da Uniban. Episódios de preconceito e violência acontecem todos os dias, em todas as partes. Quem ousa ser diferente, ou não pode ser de outra forma, já sentiu na pele o preconceito e sabe que cuidado é bom e conserva os dentes. Literalmente. Quem é gay sabe que no dia seguinte a qualquer parada gay, apesar dos milhões de pessoas na rua, é bom ser discreto e nada de “ofender” os outros à sua volta com demonstrações públicas de afeto.

O absurdo neste caso é a própria instituição juntar-se aos agressores para praticar mais uma violência contra a garota que ousou “desrespeitar a moralidade publica” usando um vestido curto. Um vestido ofende a moralidade pública num país de Sarneys, Calheiros e que tais? Que diabos de universidade é esta, que ao invés de ensinar tolerância e respeito prega esse conservadorismo medieval? Vamos voltar a caçar e queimar as mulheres, homossexuais e dissidentes, como na Idade Média?

A tal universidade, claro, já está tentando apagar o vídeo da Internet. De acordo com artigo do site G1, uma equipe de quatro funcionários já trabalha para rastrear os vídeos do YouTube desde quarta-feira (28). Assim que os arquivos são localizados, diz a universidade, os funcionários entram em uma área do próprio site e pedem sua despublicação. O blogueiro que revelou o caso, autor do Boteco Sujo, diz sofrer ameaças. Mas querer controlar a Internet, como já sabemos de outros episódios, é como querer controlar o vento…

O único consolo neste caso é saber que, graças à Internet, toda vez que algum candidato incauto fizer uma busca sobre a Uniban, universidade privada de São Bernardo do Campo (SP), tomará conhecimento do episódio e ficará alertado de que na expressão “universidade privada” talvez esteja faltando um hífen.

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25 Comentários

  1. Pedro Cruz says:

    Eu lamento muito, me formei pela Uniban no final no 2° semestre de 2008, também não podemos generalizar, no final de tudo eu também sou vitima, como fica meu curriculo agora? Tenho dizer que fiz o curso de moda na uniban com rofessores maravilhosos a minha turma teve um progresso super bom, tanto que participei duas vezes da exposição da livraria cultura em São Paulo, e também não troco meu curso que fiz lá, sai com a verdadeira educação sobre o mercado de moda e não pensando em luxo e glamour como outras instituições fazem e sim em trabalho e profissionalismo. Eu só peço que tomem cuidado com as criticas a garota não é a unica vitima, existe varias filiais da Uniban e tem muita gente decente, cuidado por favor e tenham sabedoria, não estou defendendo a instiruição só estou dizendo que tem muita gente pagando por esse erro.

  2. Sueli says:

    O assunto sobre a aluna Geisy repercutiu aqui em Nova York. Fiquei chocada que isso tenha acontecido em uma universidade de SP e ainda uma particular. Eu teria vergonha de me formar nessa instituicao. Segundo, numa cidade moderna e vanguardista como Sao Paulo, capital da moda brasileira, acontecer algo assim por causa de um vestido? Justo em SP que tem a maior festa gay? Achei que SP fosse uma cidade liberal, ou sera que sao todos hipocritas? Esses alunos que iniciaram a turba e quase agrediram a moca, deveriam ser expulsos mas em vez disso vao expulsar justo a vitima? e quem sao essas pessoas dando entrevista dizendo que ela queria aparecer? Todo mundo quer aparecer o tempo todo de uma forma ou de outra. Ou as centenas de fotos que postamos no orkut nao seriam uma forma de aparecer e de se exibir e dizer “olha pra mim” “veja como tenho amigos” veja como me diverti nesse feriado”? Nao sao essas formas de se aparecer tambem? Desde quando a mini saia, mini vestido, e motivo para expulsao e turba? No Brasil do Collor, das CPMFs, dos impostos e emendas repentinas e corrupcao, falar de etica e piada? Os politicos nao tem eticas e nao sao expulsos mas uma aluna e expulsa por falta de etica? a nota da Uniba e vergonhosa, a atitude de expulsar a aluna e vergonhosa. Geisy nao volte pra essa universidade privada, voce merece mais. Escolha uma universidade que esteja preparada para o futuro. A Uniban e os alunos da turba sao apenas uns “Losers”

  3. lucas says:

    Apenas acho curioso como certos assuntos ganham tanto espaço e outros, seguramente MAIORES, NÃO !!! Porque será que quando vemos mulheres agredindo crianças e idosos, traficando drogas, brigando em porta de escola, dirigindo e causando acidentes por estarem bêbadas não nos revoltamos com a mesma intensidade com esta participação assustadora e crescente da mulher ????????!!!!!! Porque quando vemos a televisão dar imensos espaços para programas de fofocas, reality shows, violência e aberrações mil, em vez de dar espaço para as coisas verdadeiramente importantes deste país de pouca cultura e infinitos problemas sociais não nos indignamos ???!!!! Porque quando vemos mulheres vulgarizando seus corpos e mentes em programas ávidos pelo primeiro posto na audência (essas sim é que induzem que uma mulher deva ser tratada como uma verdadeira MERCADORIA !!) não nos movimentamos ????????!!!!!!!! O que me parece é que, para variar, as pessoas se deixam levar pelo clima de excitação que é criado pela mídia em específicos casos e não com aqueles, muito mais sérios e profundos que existem por aí !!! E TOME HIPOCRISIA DESSA POVO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Aliás, porque é que a mulher deve ser tão protegida assim ??? Se a natureza tivesse dotado ela com força física seria ELA QUE FARIA USO DISSO PARA OPRIMIR O HOMEM !!! O HOMEM NÃO PODE SER CONDENADO POR FAZER USO DO QUE A NATUREZA LHE DEU, RELEGANDO A MULHER UM PAPEL SECUNDÁRIO ENTRE O ÁRABES, NA COCHINCHINA OU NO RAIO QUE O PARTA !!! SE A MULHER PUDESSE SE IMPOR ATRAVÉS DOS TEMPOS PELA FORÇA, O HOMEM É QUE FICARIA HISTORICAMENTE EM PAPEL SECUNDÁRIO !!!! COMO ESSE POVO É DEMAGOGO !!!

  4. Então mulheres do meu Brasil, já por conta eu diria que poderíamos inaugurar o “Look Uniban?” De bandeira em punho, ou melhor, de vestido curto, sem lenço nem documento, apenos no “magento”, vou colorindo meu bloguito, exibindo a postagem sobre a Antônia Fontenelle. Se joguem lá pra ver. http://in-vestida.blogspot.com. Cada protesta como quer, certo??

  5. Jose Luis Ries says:

    Eu só espero que esta aluna tenha um pouco de sanidade e entre com um processo por danos morais contra a Universidade. Isto não anula de forma nenhuma o dano causado. Mas será um aviso no único valor que ainda é respeitado, o monetário. Pela extensão e repercussão do fato, o valor rescisório alcançado seria suficiente para que a moça não precisasse mais se formar, principalmente numa instituição tão duvidosa quanta esta se mostrou.
    Em relação à turba, serve para lembrar que realmente Nero estava certo, só se precisa de pão e circo, o povo gosta de sangue. Não importa o nível cultural, se é que no dado ambiente existe algum. Mas também num país onde alunos de escola primária agridem os professores, alunos de escola secundária andam armados, uma curra no âmbito superior esta de bom tamanho.
    Como diz o célebre Professor Paulo Gaudêncio, a sociedade conferiu ao professor uma tarefa que não é sua e para qual ele não esta preparado. A civilidade e os conceitos básicos de humanidade se ensinam em casa.
    O que vemos é uma bestialisação coletiva que gera estes tipos de ação.

  6. isso ai é em quer o mundo esta se trasformando!!!!!!!!!!!! uma verdadeira bagunça!!!!!!!!!! Guiada por pessoas q se acham DDDDDDDD+++++++++++++++++,,, Meu Deus para o mundo que eu quero decer!!!!!!!!!!!!

  7. Simone says:

    Verdadeiramente ridicula a atitude da faculdade Uniban….primeiro não tem controle com os vandalos, depois expulsar a aluna pela sua veste. A nossa Constituição nós garante direito de ir e vir, cada um usa, come, dança faz o que lhe é melhor, se a garota estava afim de ir a vontade pra Faculdade isso não é da conta de ninguem as emissoras de televisão, as bandas de música mostra sem pudor a mulher como um simbolo sexual, e nos mulheres temos que aguentar tudo isso….já pensou se resolvemos fazer vandalismo porque a pessoa que está do nosso lado é mais sexy do que nós? qdo uma pessoa comum resolve mostrar suas curvas é agredida em uma Faculdade? Sinceramente se eu fosse aluna dessa instituição sairia dela o mais rápido possível pois pelo que nos foi mostrado eles não tem controle com agreção, vandalismo e atitudes que confesso não acreditar que são de jovens universitários. Dai o mundo está do jeito que está. Falta de respeito com o próximo.

  8. Texto maravilhoso do Eddie e comentáriios maravilhosos do Carlos, vou comentar, não. Só agradecer.

    bjnhs

  9. Drika says:

    Nesse caso infelizmente há dois pontos em questão.
    Um de uma puta confundir faculdade com esquina, realmente acho um desrespeito para com os demais estudantes e professores; e outro da agresão. Mas pensando bem, estamos sempre chocados com a falta de impunidade a casos hediondos, com a falta de ação da sociedade…. Eis q deixaram claro o intuito de estarem. E q a “vitima” KKK deveria respeitar e agir de acordo. Isso ñ é comunismo, nem Talibam, simplesmente o tão esquecido valor da mulher, q pode ser digna, inteligente, gostosa e classuda.

    • tonicampista says:

      Acho muito interessante que vc tenha essa opinião e se esconda sem mostrar seu rosto. será que por detras de seus ditos valores morais não se escondem alguns segredos reprimidos.? Aja como uma pessoa decente. acuse critique e se mostre
      . Alem do que acho que as putas merecem respeito nesse pais onde algumas coisas são para lá de imorais e tenho certeza certas vozes moralistas se calam

  10. MARCIA VITAL says:

    isto é uma tristeza, a involução dos tempos.
    Não importa quais foram os elementos ,roupa, jeito!!!!
    Cadê o que é chamado de universidade!
    pluralidade etc.. Que droga de pseudo universidade é essa ?? devemos fazer um campanha publica para mudar o nome desta escolinha que se autodenomina “universidade”, expurgar o nome UNIVERsidade e colocar Escolinha Bandeirante….
    aonde não se contemplam diferenças culturais

  11. thais says:

    Não vou me prolongar muito, porque já percebi que meus colegas de comentários já soltaram o verbo. É um retrocesso, uma grosseria de jovens (infelizmente o futuro do país tropical) e uma hipocrisia de supostos diretores acadêmicos que deveriam dar exemplo de liberdade, ética, responsabilidade individual. Pena ver isso aqui tão de perto e em algo que se intitula universidade!

  12. izabel says:

    Está claro que UNIBAN = TALIBAN.
    Esta instituição deve deixar de existir já!O país já é bastante violento e o MEC não deve manter em funcionamento uma instituição que prega e apoia a intolerância e a violência.

  13. A Geisy, está sendo injustiçada por apenas um micro vestido… para mim é uma coisa banal. Pois, ela não roubou e tbm não matou dentro desta Faculdade que tem um reitor de merda. (desculpa os termos). Mas, eu apoio ela… tbm não tem nada que pedir desculpas perante a TV. Quantas vezes já não fui a faculdade querendo causar? Acorda povo brasileiro!!

  14. Debora Gislaynne says:

    O vestido da Geisy era curto, mas nada que não estamos acostumados a ver em qualquer lugar do país. Para mim, a atitude da universidade foi animalesca e ditadora. Não podemos aceitar esse tipo de coisa. É uma volta de códigos morais absurdos e infundados. A aluna foi vítima de buling e ainda expulsa? é muito mais fácil punir a vítima do que punir centenas de agressores que pagam mensalidade.

  15. Regina says:

    Tim Maia disse uma frase que nunca esqueci: “Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa”. A “filosofia” mambembe dele talvez ajude a mostrar que embora a atitude da universidade e dos alunos seja absurda, principalmente num país permissivo como o nosso,que talvez seja o momento de se por um limite nessa hiostória de liberdade de escolha. As vezes pego onibus para ir trabalkhar e vejo meninas com jeans tão baixo que aparece o início dos pelos pubianos, meninos com claças com a cueca e o bumbun praticamente a mostra, sem camisa, comportamento totalmente deseducado com gritos e palavrões que sinceramente não me agrada ouvir. Sei que eles tem liberdade de expressão tanto no vestir como no comportamento. Mas, e eu tbm não teria o direito de ir trabalhar sem um coro de palavrões nos meus ouvidos logo pela manhã? Não tenho eu o direito de me privar da visão de corpos praticamente nus (as vezes belos, outras vezes muito feios). Que tem mais direitos? Como equacionar essa medida? Penso que como no no Tao, o melhor seria o caminho do meio e não dos excessos como dos mulher universitários ou dos dancarinos ou novelistas globais ou não.
    Um abraço!

  16. eu gostei muito dos vestidos

  17. Hoje, após ler a publicações nos jornais que a jovem vitima de bullying em uma cena de violencia e preconceito desproporcional, foi expulsa da universidade, fiquei preplexo com o despreparo demonstrado pela Uniban em lidar com o tema e com a convencia com os agressores.

    Por curiosidade entrei no site desta universidade para saber quais os cursos na área de humanas que a tal universidade disponibiliza. Surpreendentemente, no site da Uniban, o curso de direiro é definido com a expressão abaixo:

    “O curso de Direito da UNIBAN habilita profissionais para serem intérpretes da legislação e competentes para trabalhar nas áreas jurídicas. O bacharel adquire um profundo senso de consciência política e social, e aprende que o Direito é um instrumento da cidadania, da democracia e da liberdade. O curso ainda oferece condições para a aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil e nos concursos públicos nas diversas áreas como Magistratura, Ministério Público, Procuradorias e Defensorias Públicas.”

    Acho que a tal universidade peca ao querer falar sobre ética e ter a pretenção de ensinar que o Direito é um instrumento da cidadania, da democracia e da liberdade e não conseguir lidar com uma situção que requer o mínimo de cidadania, democracia e direito a liberdade. Quanta incoerencia!

    As autoridades competentes precisam rever a capacidade da Uniban no ensino, proteção de seus alunos no quesito respeito e dignidade bem como lidar com a diversidade.

  18. Geyse. Este nome será lembrado como o da “derrota da hipocrisia”. Hipócritas que pregam a liberdade. Hipócritas que negam a intolerância religiosa. Hipócritas que negam a discriminação da raça e… pior ainda: – hipócritas que fazem parte da elite, pois só essa frequenta universidade paga e, “mais pior” ainda (eu não frequentei), uma elite jovem; justamente aquela que deveria capitanear nosso pais rumo ao porto do desenvolvimento, do ecologicamente correto, do eco-sustentável e mais tudo aquilo que deveria ser sinônimo de Modernidade, de Século 21 e por aí afora.
    Eu pediria às autoridades que reforçassem a vigilância no Monumento das Bandeiras, no Obelisco do Ibirapuera e outros marcos históricos dessa maravilhosa cidade (não confundir com a Cidade Maravilhosa – lá eles preferem queimar ônibus). Sim! Peço reforço de vigilância, para que essas caricaturas de Talibans que agrediram essa jovem, não façam com os nossos monumentos, o que seus aceclas fizeram com as estátuas de Buda no Afeganistão em 2004. Você estranha essa analogia? Não liga não – é que sou de uma geração que considera a Mulher Brasileira um dos monumentos da humanidade. Pena que ela seja vilipendiada justamente por suas contemporâneas, já que seus contemporâneos parecem não gostar muito de admirar monumentos…
    Para finalizar, acho que valeu a lição. Meu filho termina a faculdade esse ano, numa das mais conservadoras da zona sul, a Unisa, e eu nunca soube de nenhuma aberração como a que aconteceu com a Geyse. Nesse ano estava fazendo tudo e preparando minha filha para ingressar na Uniban, sonho que ela persegue desde os doze anos – justamente para fazer essa fatídica faculdade de Turismo. Perdão Astrid. Vou redirecionar meus esforços para que você faça Veterinária – É melhor “mexer” com porcos do que com aquela turba da Uniban.

    Oscar

  19. É muito difícil entender e aceitar uma atitude preconceituosa de jovens alunos, professores e funcionários amparadas institucionalmente por uma universidade privada que tomou a decisão de expulsar a aluna após uma sindicância. A Uniban perdeu uma grande oportunidade de se posicionar contra esta manifestação popular grotesca em seu território. A decisão de expulsar a aluna fez com que a tal universidade deixasse ainda mais transparente sua posição política de conivência e identificação com os agressores, o que deixará uma mancha nos curriculum dos alunos e profissionais que passarem por lá.

    Todos ficamos chocados ao assistir os vídeos publicados na Internet e matérias publicadas nos principais veículos de comunicação. Eu me perguntei várias vezes o que motivaria tamanha agressão coletiva e expressão de ódio e indignação provocado por uma pessoa que usava um vestido pink (rosa-choque) curto e apertado.

    Acabei de escrever um texto fruto desta reflexão, que será publicado no Fashion Bubbles. É incrível como muitos ainda justificam seus atos violentos pela moral e éticas quando suas atitudes descortinam suas ignorâncias neste campo.

    Tenho refletido o que uma universidade como esta tem como compromisso. Educação? Civilidade? Preparação pessoal e profissional? Duvido muito que os alunos que motivaram tal espetáculo de mal gosto e aqueles que aderiram ao ato de intolerância possam prosperar em qualquer empreitada.

    Os agressores e a universidade é que deveriam esconder suas vergonhas.

  20. Há algum tempo atrás fiz uma matéria em minha Loja Virtual a respeito do comportamento do ser humano e com foco especial na mulher, pois naquela época estamos comemorando o Dia Internacional da Mulher.
    Aprendi perfumaria com árabes e até hoje sigo essas regras. Neste contexto, aprendi uma outra coisa que até então não esperava que fosse o de vir somar em meus ensinamentos, pesquisar e acima de tudo respeitar a cultura Árabe. Muitos me perguntam se sou de origem árabe, isso porque, tudo aquilo que faço na perfumaria e o que escrevo, têm algo relacionado à cultura árabe. Mas, não sou de descendência árabe e sim Russa e Italiana.
    Ao receber a mensagem desse infeliz acontecimento na UNIBAN, com aquela moça, me fez lembrar desse artigo escrito há uns três anos atrás e o qual vou repassar a vocês para que façam uma comparação e no final tire suas conclusões.
    Quando o Talibã assumiu o poder em Cabul em Setembro de 1996, 16 decretos foram transmitidos pela Rádio Sharia. Entre estes darei destaque para os que envolvem as condições das mulheres:
    - É proibido às mulheres andarem descobertas.
    - É proibido aos motoristas aceitar mulheres que não estejam usando burca. Se o fizerem, o motorista será preso. 
    - Se mulheres assim forem vistas na rua, suas casas serão encontradas e seus maridos punidos. 
    - Se as mulheres vestirem roupas insinuantes ou atraentes, desacompanhadas de parentes próximos do sexo masculino, o motorista não poderá levá-las no carro.
    - É proibido lavar roupa à margem dos rios.
    - Mulheres que desobedecerem a esta lei serão retiradas de maneira respeitosa do local e levadas para suas casas, onde seus maridos serão duramente punidos.
    - É proibido a alfaiates costurar roupas femininas ou tirar medidas das mulheres.Caso sejam encontradas revistas de moda na loja, o alfaiate será preso.
    Além destes, foi divulgado um apelo às mulheres de Cabul:
    Mulheres, vocês não devem sair de suas casas. Caso o façam não devem se vestir como aquelas mulheres que costumavam andar com roupas da moda, muito maquiadas e se exibindo para qualquer homem quando o Islã ainda não chegara ao país. 
    O Islã é uma religião salvadora e determinou que as mulheres devem ter uma dignidade especial. 
    - As mulheres não devem atrair a atenção de pessoas nocivas que lhes dirijam olhares maliciosos. 
    - As mulheres são responsáveis pela educação e união da família, pela provisão de alimentos e vestuário. 
    - Caso precisem sair de casa, devem se cobrir de acordo com a lei da Sharia. 
    - Se andarem com roupas da moda, ornamentadas, apertadas e atraentes para se exibir, serão condenadas pela Sharia Islã e perderão a esperança de um dia chegar ao paraíso. 
    - Serão ameaçadas, investigadas e duramente punidas pela polícia religiosa, assim como os membros mais velhos da família. 
    - A polícia religiosa tem o dever de combater estes problemas sociais e continuará com seus esforços até ter erradicado o mal.
    Caros Amigos do Fashion Bubbles, depois dessa leitura o que se vê?
    Não é preciso ser nenhum gênio para se deduzir que não existe diferença alguma entre essa atitude animalesca ao que está acontecendo hoje em Cabul, tribal, preconceituosa, falso moralismo. Quantos desses infelizes estudantes que naquele momento que estavam “jogando pedras” naquela moça, na verdade não queriam estar com ela em seu quarto? Quantos daqueles falsos moralistas (estudantes e professores) naquele momento não estavam fazendo terrorismo contra um membro de sua própria comunidade? 
    O terrorismo que hoje tanto se luta para que desaparece não está somente lá nos países da Ásia e do Oriente, ele está dentro de muitas pessoas em qualquer parte desse mundo. 
    Agora! O que esperar desses estudantes que daqui alguns anos estarão se formando? 

    Terão as mesmas atitudes covardes e insensatas quando estudantes?Qual a diferença entre estes estudantes e professores e o Talibã?

  21. Raquel says:

    Não acho que o tipo de roupa da Geisy seja o mais adequado para ir assistir uma aula, trabalhar, etc, mas em momento algum isto dá o direito de fazerem o que fizeram com ela. Parece que tudo é justificativa para o machismo. Realmente, toleramos mulheres mostrando a bunda na TV, cenas de sexo em novelas, e muitas vezes famílias permitem que crianças presenciem tais situações. A roupa diz muito sobre o que queremos ser para a sociedade, se a aluna quer passar a imagem de sensual, sexy ou qualquer coisa similar, é uma escolha dela. A Constituição nos garante o Direito de ir e vir, independente de raça, religião, status social e outras circunstâncias… Mas a sociedade em que vivemos, pode soar como clichê, é hipócrita… Pregam a liberdade sexual, mas quando uma mulher é vítmia de estupro, a primeira pergunta na delegacia é “que roupa você estava vestida?”, como se a roupa fosse uma justificativa para a violência. Espero que a Geisy entre com um processo contra a Uniban, porque se ela se calar, será como um consentimento de culpa dela pelo que aconteceu. Torço para que os verdadeiros incitadores desta “rebelião” sejam punidos e que cada um entenda que a falta de respeito ao próximo é a causadora do caos que toma conta das cidades, estados e países…

  22. Queila Monteiro says:

    Ontem sai de casa e vi mulheres de todas as idades vestindo shortinho, pensei: Moro num país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza…..mas que beleza.
    E essa história nos deixa a todos atordoados, porque lá uma saia curta é sinônimo de falta de ética? ÉTICA?
    que pena, acho que temos um ninho Talibã entre nós.

  23. Gisele says:

    Um absurdo. Literalmente uma universidade-privada. Eu retiraria minha matrícula dessa Instituição de Ensino. Teria muita vergonha de me formar em um lugar que ofereceu grotesco espetáulo.

    • Nossa,é difícil de acreditar,qualquer baladinha de qualquer classe 
      social vemos verdadeiros espetáculos de atentado ao pudor,sem 
      contar com os de canais de tv fechados ou aberto.
      E eu aqui me esforçando pra me apresentar para esta instituição
      para um curso de Moda…muito triste a falta de respeito e tipos de 
      perfis de mal educados.Penso que a Uniban perdeu  controle,não
      saberia dizer quem são os responsáveis a universidade ou a falta
      de respeito que os alunos  já trazem de casa,lastimável.
       

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